O Útero faz 20 anos. Para celebrar este percurso, a companhia assinala a data com um regresso às raízes, a dois espaços que foram fundamentais para o seu crescimento criativo – Lémauto e Espaço Ginjal (em Almada) e Fábrica Asa (em Guimarães) – lugares de grande escala que permitiram, e permitem, ao corpo dos criadores e ao público estabelecer lugares emocionais únicos e irrepetíveis. Lugares que obrigam, aos espetadores, militância e sacrifício para poderem absorver na totalidade uma obra de arte. Almada e Guimarães foram, sem dúvida, duas cidades que abraçaram o Útero de forma apaixonada. Cidades com histórias diferentes, mas com o mesmo amor pela cultura. Cidades com uma relação forte com as fábricas e os trabalhadores que diariamente lutam pela vida e pela dignidade da sua vida. Uma parábola igual ao percurso dos artistas que tentam ocupar o vazio, dando um significado ao mundo. “Operários” é, por isso, uma homenagem aos trabalhadores fabris que, tal como os artistas, pensam o mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação.
in e-cultura.pt
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Na celebração dos 20 anos de existência, o Útero Teatro reconhece o papel das duas cidades que habitou – Almada e Guimarães – e da forte presença ali da indústria e dos trabalhadores fabris, donos de uma grande consciência política. “Tal como os artistas, pensam o mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação”, sublinha-se. A mudança da companhia para a Cidade Berço dá-se por altura da Capital Europeia da Cultura, em 2012. “Guimarães é um marco na nossa história, porque é a cidade que reconhece o nosso trabalho e nos permite desenvolvê-lo de acordo com aquilo em que acreditamos”, diz o diretor Miguel Moreira.
Quem conhece o percurso do Útero Teatro sabe que não pode esperar de Operários um espetáculo documental. Na nova criação, o grupo volta a “convocar o público para experiências para as quais, muitas vezes, não está preparado e que suscitam emoções díspares”. Há uma identidade muito própria, sombria, carnal e perversa, imediatamente reconhecível, até pela utilização de cenários despojados e de materiais como a água e o pó. “Sempre gostei de ver espetáculos que não compreendia, trágicos… isso influenciou o meu caminho enquanto artista”, reconhece Miguel Moreira. Em Operários, convoca a sua habitual “banda”, como gosta de chamar ao coletivo que o rodeia, onde sobressai, pelo virtuosismo, o bailarino Romeu Runa. Pela primeira vez, Miguel Moreira acompanha-o em palco, numa peça que, embora avessa a classificações, é mais marcadamente de dança. “Tive desde muito cedo a influência da dança, mas levei muito tempo a assumir que esta não vive só da técnica e pode ir muito mais além da fisicalidade.” Neste “concerto” com zonas híbridas onde os “sons” se confundem, trazem convidados de fora da “banda” (Sara Garcia, Beatriz Bizarro, Teresa Esteves da Fonseca e ShadowMan). A partilha de processos entre artistas, essa, continua a ser uma constante da companhia.
In Joana Loureiro Visão Se7e




@ fotografia Helena Gonçalves/José Frade










@ Fotografia José Frade
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